domingo, agosto 31, 2008

Morreu o Autor de Convém Avisar os Ingleses


Morreu o Autor de Convém Avisar os Ingleses

É com um grande pesar que anunciamos que Joaquim Castro Caldas (1956-2008), já não pertence ao mundo terreno, vítima de doença prolongada. Ficam os seus livros. Em particular, aquele que o Searaman tem na sua biblioteca - Convém Chamar os Ingleses - livro de poesia e prosa que espera que o descubram nas livrarias. Custa menos de 10 euros.

Deixamos um pequeno excerto para vos animar de tão desoladora notícia.

"PALAVRÃO Não, não se fala mal português em Portugal não se diz caralho a torto e a direito ou vai sempre a direito ou só se diz quando a coisa dá para o torto não, não se fala mal o português no Porto e se um filha da puta chama a um lisboeta cabrão é porque os dois o são e por isso não é palavrão não, não se fala mal português em Portugal e se alguém só pensa não diz que se foda é porque você ouviu mal "

quarta-feira, agosto 27, 2008

Contos dos Beijos Negros com Três Grandes Conselhos de Bruno Aleixo


8

É dia de Páscoa na terra do Aires. Como sempre a visita pascal percorre toda a vila. Mas este ano uma nova porta irá reverenciar sua excelência o senhor Padre: a porta do Aires.
Apesar de ainda não estar toda a instalação eléctrica instalada, de grosso modo a casa está pronta para usar. Na sala, ao lado da estante de livros, o Aires dá lustro ás garrafas de variados espíritos. Espera secretamente oferecer um vermute bem mexido ao senhor Padre. Obviamente mexido com o sexo. E arriscará largar umas gotas de urina.

Aires encontra-se feliz, investir no bar foi um golpe de génio e destruiu a concorrência. Antes obscurecido pela dúvida e o remorso, pensava que a existência se encontrava a caminho do fundo e que a sorte lhe tinha dado um beijo negro. Mas felizmente o financiamento que obteve por desinfectar a cabeça do bancário da vila, que tinha sofrido uma mordedura de uma víbora quando olhava para a tratadora de cobras do circo; propiciou-lhe uma prosperidade inesperada.
E assim pôs de parte a ideia de ser modelo ao natural na escola de belas artes do Porto ou químico cerebral que reabilitaria a urina.

Voltando ás celebrações pascais; o Aires ficou aborrecido, o Padre não quis beber nada, nem uma poncha.


Que falta de respeito pela tradição, pensou Aires.

terça-feira, julho 15, 2008

Contos dos Beijos Negros com Três Grandes Conselhos de Bruno Aleixo


7

Após alguns meses de indefinição, a namorada do Aires deu o primeiro passo em direcção ao Beijo Negro. Estivera a ler um artigo na Cosmopolitan que a esclareceu bastante. Foi um dia muito positivo para o Aires, naquela tarde tinha mudado uma tomada eléctrica da casa de banho. A namorada adorou aquela demonstração de competência que só aparece nos homens com muitos pelos no peito. Muito contente, o Aires brincou com a situação, e falou pela primeira vez em 3 anos da teoria das propriedades sépticas do mijo.

A tarde de Domingo perfumava o Aires, até que a namorada descobre-o a misturar as bebidas com a picha. Revoltada com tamanha podridão, deixou a casa do Aires e nunca mais lhe falou. Naquele momento o Aires sentiu-se nu, observado por todos. Toda a excitação que sentia transformou-se em gelo com 25 mil anos.
Continua...

quarta-feira, julho 09, 2008

Contos dos Beijos Negros com Três Grandes Conselhos de Bruno Aleixo


6

Um cliente do Aires, teve um dia mau em casa e não estava com coragem de enfrentar a mulher. Tudo por causa de uma tomada eléctrica que provocou um curto-circuito durante a madrugada. A vizinhança alertada, chamou os bombeiros que surpreenderam a mulher dormindo nua em casa. Nessa noite ele tinha estado de serviço pois era segurança num banco. Estupefacto, o Aires alertou-o para ter cuidado com as tomadas eléctricas e para que nunca lhes mije para cima. E abordando-o mais tarde, disse-lhe confessionalmente que o mijo era bom para limpar as feridas pois tinha o mesmo efeito que a água oxigenada. Depois de uma longa conversa o Aires decidiu oferecer uma dupla dose de Martini misturada com o pénis. Teve pena do gajo.
Naquela conversa ninguém falou de Beijos Negros.


Continua...

quarta-feira, julho 02, 2008

Contos dos Beijos Negros com Três Grandes Conselhos de Bruno Aleixo


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Certo dia o Aires perguntou á namorada se sabia o que era um Beijo Negro. Ela pensou que era uma mamada; ficando com asco e incomodada, disse-lhe que era um badalhoco. Entretanto o Aires pensou caladinho - Se soubesses que mexo as bebidas do bar com a piça passavas-te e deixavas-me. Se soubesses que mijo na feridas para sara-las, chamar-me-ias porco imundo, abjecto e anormal. Mas eu sei que me amas apesar das minhas estouvadas ideias, porque gostas de te agarrar a um homem nu durante as noites quentes dos meses de Verão.

terça-feira, junho 24, 2008

Contos dos Beijos Negros com Três Grandes Conselhos de Bruno Aleixo


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Um dia o Aires sentiu-se muito apertado ao balcão e deixou de mexer as bebidas com o sarramalho porque sentiu um grande aperto na bexiga. Ao entrar na casa de banho, encontrou um casal de namorados a discutir por causa de um Beijo Negro, e perguntou se estavam ali para discutir ou usar os sanitários. Curioso, foi para casa e fez uma pesquisa sobre o tema. Naquela noite estava tão excitado que telefonou á namorada para passar lá por casa porque tinha uma surpresa para lhe fazer. Ela não aceitou, e disse horrorizada que não punha os pés na casa dele enquanto não concertasse a tomada eléctrica onde se tinha queimado. O Aires, o coitado do Aires, dormiu sozinho e nu naquela noite. Nu como sempre fazia.
Continua...

sábado, junho 14, 2008

Contos dos Beijos Negros com Três Grandes Conselhos de Bruno Aleixo



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Um cliente do café do Aires escorregou no chão molhado da casa de banho e bateu com a cabeça numa tomada de electricidade. O Aires foi ver o ferido, e fez um curativo com mijo que vazou forçadamente da bexiga, algodão e uma compressa. Depois para animar o cliente entontecido, deu-lhe uma bebida que evidentemente mexeu com a picha. O gajo que se estatelou tinha tido um mau dia, pois já de manhã houve um fogo na cozinha do seu apartamento e os bombeiros entraram na casa, surpreendendo-o nu a dormir no quarto.
Continua...

sexta-feira, junho 13, 2008

quarta-feira, junho 11, 2008

Contos dos Beijos Negros com Três Grandes Conselhos de Bruno Aleixo


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O Aires estava a dormir, e a companheira fez-lhe um Beijo Negro com tanta força que o mordeu. Imediatamente, fugiu do quarto e foi desinfectar a ferida com mijo, pois considera-o anti-séptico. Deve ser por isso que as bebidas que mistura com a picha nunca fizeram mal a ninguém, a não ser que beba demasiado e mije numa tomada de electricidade.
Continua...

sexta-feira, junho 06, 2008

Crónicas do Demencial no Sem Censura de 6 de Junho - Peregrinação


Boa Noite, sejam bem-vindos à primeira Crónica do Demencial desde a última! Desta vez serei somente eu a fazer a incursão no maravilhoso mundo das Crónicas, visto o nosso amigo Paulo Seara ter emigrado para Inglaterra onde realizou uma visita de trabalho a Edimburgo na Escócia, aproveitando o tempo livre para visitar o Lago de Loch Ness, e onde a única coisa que conseguiu apanhar foi uma constipação exasperante devido ao típico tempo Escocês, é o que dá andar de Kilt. Na quarta-feira encontrou Bono Box, vocalista dos U2 num Pub da Capital Escocesa e trocaram entre si receitas de Bacalhau e Arenque.

Esta semana vou tratar de um tema que me diz muito pelo menos uma vez por mês quando vou ao Futebol: Peregrinação.

Nem toda peregrinação é de cunho religioso. Peregrinar significa viajar, andar por terras distantes. Qualquer pessoa pode criar sua própria peregrinação para algum lugar que lhe seja sagrado ou inspirador. Esse lugar tanto pode ser Fátima, Compostela, Jerusalém, Roma, Sede da UEFA ou o Estádio da Luz.

Seguidamente contarei uma história tendo como pano de fundo uma reunião familiar por efeito de uma peregrinação:

VÉSPERAS DE UMA PEREGRINAÇÃO Dos Gomes da Fonseca

Uma vez mais os laços familiares dos Gomes da Fonseca foram estreitados na reunião habitual da peregrinação ao santo da Freguesia. Uma oportunidade mais propícia que o próprio Natal, pois as férias de Verão são aproveitadas para reunir todo o clã, e prestar preces e homenagem ao padroeiro que ajudou tantas gerações passadas.

Realizando um acto de contrição, esperemos que o senhor chefe de família não precise de mudar de roupa a meio da merenda por ter apanhado em cheio com o galheteiro do azeite nos cornos, atirado pela esposa, que o encontrou a beber desalmadamente na companhia dos irmãos Nunes.

A esposa ficou fula e com razão e esteve quase a dar-lhe o fanico enquanto gritava: “Desavergonhado! Desaparece-me da frente, estamos num local santo e tu andas a beber como sempre, não tens vergonha seu porco!”.

Mas quando as pessoas são educadas, é outra coisa. Enquanto o senhor Fonseca foi curar a ressaca para trás de umas giestas, a sua esposa até começou a confraternizar com os Nunes, e falou-se muito sobre telenovelas e concursos de televisão.

Essa bronca inicial foi o menos, pois o pior veio a seguir, quando a avó teve a ideia de perguntar à Prima Ofélia se tinha recebido algum presente de aniversário dos patrões onde é secretária, tendo a parva descaindo-se a dizer que, do Senhor Serafim, recebera um jogo de calcinhas rosa e um soutien de nylon, e do Senhor Cancelas, um vibromassajador japonês de cor ébano, muito bonito. Ora, ao ouvir isto, o Frederico - que é marido de Ofélia -, e que tinha metido á boca uma grande garfada de Bacalhau á Brás, engasgou-se, engoliu comida por mastigar, cuspiu o resto para o prato do avô, e desatou às bofetadas à Ofélia.

Esta reagiu, crescendo como uma leoa, dizendo: “Pois digo para vergonha tua, que nem és marido nem és nada! Se não fossem os meus patrões não sei o que seria de mim!», desatando a chorar baba e ranho, e foi então que o Frederico agarrou na faca de cortar o pão-de-ló, começando toda a família a gritar «Ai que ele mata-a! Ai que ele mata-a!», mas o Senhor Fonseca, aparecendo já ressacado, tirou-lhe a faca. O Tio Arsénio obrigou-o a sentar na cadeira, deu-lhe palmadinhas nas costas e disse-lhe: «Não ligues ao que ela diz, pá, já sabes como são as mulheres», e ele ao ouvir estas boas palavras, ficou mais sossegado e até alargou um furo ao cinto para continuar a comer.

A Tia Palmira não gostou da conversa do marido (Tio Arsénio) e começou a refilar, que ela era uma mulher séria, que quem não se sente não é filho de boa gente, etc., etc., mas o Tio Arsénio que é um bocado bruto, atirou-lhe logo uma boca a matar: «Escusas de te armar em séria, que todos sabem que andaste enrolada com o Gonçalves da farmácia quando ele te tratou do eczema»; e ela, logo: «E tu com a Gracinda da peixaria, que até escamas de pargo trazias para casa nas cuecas!» O Tio Arsénio, muito fodido responde: «As escamas de pargo não são para aqui chamadas para nada, porra!» E ao dizer isto, deu tal murro num prato de croquetes que saltaram para todo o lado assustando até os primos mais novos que jogavam uma bela suecada ali por perto.

No entanto, o Senhor Fonseca que ia acudir a Tia Palmira, esteve vai-não-vai para apanhar outra vez com o galheteiro, pois a esposa ainda não se tinha esquecido do que tinha feito; enfim, só visto!

O que valeu para que a merenda não ficasse estragada foi a imposição dos sinos do campanário, e visto ser aquele o toque para reunir a congregação, não se consentia faltas de respeito, pois o local não era nenhuma taberna e era imoral estarem a encher o bandulho naquele lugar santo, com a comida cara como estava, e a portarem-se que nem javardos em vez de se mostrarem agradecidos com as benesses divinas de um tempo de paz e de pão.

Até ao fim das celebrações ninguém abriu a boca, mas ao chegarem a casa, a esposa do Senhor Fonseca, que tem muito jeito para compor as coisas quando não está a aziar, disse que o melhor era a Dona Guiomar (irmã mais velha do Senhor Fonseca) ligar a televisão, pois tinham programas muito bonitos, sobretudo os concursos depois do Jornal da Noite, até porque as conversas não fazem falta para nada e as pessoas não estava ali para conversar, mas para comer e que assim as crianças sempre estavam mais distraídas; enquanto isso se passava, os primos juvenis jogavam à vez no GameBoy, e as primas conversavam sobre as fotos dos moços na revista “Bravo”.

E foi assim que os mais pequenos tiveram de gramar duas horas de chachadas com intrevalos pelo meio.

Não é que eles não gostem de chavascal e sarrafada, mas, mal por mal, ainda preferiam ver os parentes todos à porrada e a descobrirem as carecas uns dos outros, do que ver televisão, eles que nem sequer tinham TV por cabo, grandes ordinários.


Em suma, para que serviu esta peregrinação local? Quais a vantagens e desvantagens de ir peregrinar para longe como Santiago de Compostela, Lourdes, Fátima, Roma, ou Jerusalém? Os Gomes da Fonseca conseguiriam ser tocados pela fé? Professando-a na prática, ou seriam uns turistas lusos extrovertidos numa terra estranha, dando nas vistas com os seus costumes, conflitos, falta de amor-próprio e de amizade?

Cada um poderá tirar as suas conclusões.

Agora para terminar, que a Crónica já vai longa, uma noticia que interessa face ao tema de hoje:

Peregrinos autorizados a circular de joelhos pela faixa “BUS”

Todo o fiel que vier a Fátima para assistir às Comemorações das Aparições da Nª Sr.ª Fátima tem autorização do Governo Civil para circular de joelhos nas faixas destinadas ao “BUS”.
“- Assim é mais rápido, até porque assim não ficamos todos engarraf...” comentou um crente momentos antes de ser abalroado por um Táxi e ir ao encontro do Criador.

Várias brigadas da BT, da PSP e da Pull&Bear foram colocadas em pontos estratégicos da cidade para auxiliar todos os peregrinos que se dirijam às comemorações, desde que o façam apoiados nos membros ou orelhas.

Até ao momento, foi registado apenas um acidente: dois peregrinos que se dirigiam ao Santuário sofreram uma colisão frontal. O que se deslocava apoiado nos cotovelos não terá respeitado o semáforo e provocou o sinistro.

Depois de terem sido desencarcerados um do outro foram encaminhados para o Hospital local onde estão de momento a Chá.