Sabem o que tem em comum as novelas da tarde e noite dos canais generalistas portugueses?
Maus argumentos? Péssimos actores? Personagens irritantes?
Nada disso! Regabofe total!
Seja uma freira sexy e mamalhuda, uma menina ingenuamente carente, uma escola inteira de adolescentes com as hormonas aos saltos ou casais trintões da classe alta a fazer swing, o sexo faz parte integral do dia-a-dia da televisão portuguesa e abrange todas as idades e classes sociais.
Antecipando-se na eterna discussão do Ministério da Educação sobre educação sexual nas escolas, os canais generalistas atacam em força e quebram todos os tipos de tabus para gáudio de toda uma geração de jovens promíscuos, e agora com a iminência da despenalização do aborto e aumento do consumo da pílula do dia seguinte nos jovens, as perspectivas são animadoras.
Quem não está animado com a crescente libido nos nossos adolescentes?
Com o novo ponto de partida para a idade do regabofe consentido a diminuir a olhos vistos, será justo falar de pedofilia nas idades de 15 anos p cima? Sabemos que é uma ideia controversa, mas com a mentalidade dos jovens a disparar para o assunto cada vez mais cedo e com a consciência do efeito que provocam nas pessoas não sabemos se essa justiça é assim tão facilmente aplicável.
Quem não olha duas vezes para a “menina” que passa e que nos faz olhinhos libidinosos?
Pois é. Podemos dizer três coisas:
1° - Os putos divertem-se mais agora;
2° - A promiscuidade irresponsável aumenta e apesar das facilidades, aumentam as gravidez, abortos e a propagação de DST’s;
3° - O que não daríamos para termos nascido 10 anos mais tarde.
PS, PSD ou PCP: No nosso tempo se houvesse uma rapariga com atributos mais generosos que as demais, andava a escola inteira em peso atrás dela!
Searaman & Blinkboy (08.02.07)
domingo, fevereiro 25, 2007
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Ultima Hora: Serviço Público sobre o Referendo à Despenalização do Aborto
Como achamos que podemos ajudar em tão delicado assunto, aqui fica a nossa opinião sobre o referendo à despenalização do aborto do próximo dia 11 de Fevereiro.
Sim à despenalizaçao do aborto!
Sim à Distribuição gratuita da pílula do dia seguinte nas escolas!
Não aos Preservativos!
Viva a nova geração de miúdos promíscuos!!
Dia 11 vote Sim ou Não!
Searaman & Blinkboy
Sim à despenalizaçao do aborto!
Sim à Distribuição gratuita da pílula do dia seguinte nas escolas!
Não aos Preservativos!
Viva a nova geração de miúdos promíscuos!!
Dia 11 vote Sim ou Não!
Searaman & Blinkboy
Crónica do Demencial: Cereais com Fibras...para manter a linha?
Alguma vez viu um anuncio a cereais de fibras do género Kellogg’s Especial K ?
Perguntamos novamente: Alguma vez viu um anuncio a cereais de fibras do género Kellogg’s Especial K ?! Pois bem, mas ouviu com atenção o que dizem?
Nos típicos anúncios de produtos do género, vemos jovens moças de corpinhos bem esbeltos e torneados a fazer o belo do jogging, natação, bicicleta e seus derivados. Após uma sessão bem “esgalhada” de exercício físico, chegam a casa onde sacam da bela da tigela, da caixa de cereais e dizem: “#@¡§µ£! os cereais para manter a linha”.
MANTER A LINHA! NÃO A FAZEM EMAGRECER!
Exactamente!
Pois bem. Então porque é que cada vez que vemos alguém a comprar os cereais são sempre mulheres gordas?! Se repararem bem nos anúncios, o segredo não está nos cereais com sabor a sola de sapato que comem, está na porrada de exercício físico que fazem diariamente antes de comer a dita taça, coisa que imagino que as suas ingénuas compradoras ainda não perceberam.
Mas também quem as pode censurar? É bastante mais simples atirar com os sonhos de resultados imediatos para os cereais, tal como uma revista feminina culpar uma revista masculina pelo decréscimo de vendas da mesma, alegando que as leitoras confundiam os nomes das duas e compravam a revista masculina por engano, como se o facto de terem que ler realmente os títulos antes da compra fosse um grande obstáculo a transpor, e o facto de mensalmente fazer a capa da revista masculina raparigas sexys semi-desnudadas e reportagens sobre futebol, sexo e carros, o que em abono da verdade, são temas típicos de uma publicação feminina.
Mas já nos estamos a desviar do assunto em questão, e deixamos um sincero conselho às senhoras que porventura nunca irão ler esta crónica: façam exercício físico regularmente, só necessitam de um par de sapatilhas e o mundo é o vosso ginásio. E aí sim, depois de uma boa sessão, poderão comer uma bela tigela de cereais e celebrar o ínicio do fim das ilusões.
Porquê? Porque vocês o merecem.
Searaman & Blinkboy 30/01/2007
Perguntamos novamente: Alguma vez viu um anuncio a cereais de fibras do género Kellogg’s Especial K ?! Pois bem, mas ouviu com atenção o que dizem?
Nos típicos anúncios de produtos do género, vemos jovens moças de corpinhos bem esbeltos e torneados a fazer o belo do jogging, natação, bicicleta e seus derivados. Após uma sessão bem “esgalhada” de exercício físico, chegam a casa onde sacam da bela da tigela, da caixa de cereais e dizem: “#@¡§µ£! os cereais para manter a linha”.
MANTER A LINHA! NÃO A FAZEM EMAGRECER!
Exactamente!
Pois bem. Então porque é que cada vez que vemos alguém a comprar os cereais são sempre mulheres gordas?! Se repararem bem nos anúncios, o segredo não está nos cereais com sabor a sola de sapato que comem, está na porrada de exercício físico que fazem diariamente antes de comer a dita taça, coisa que imagino que as suas ingénuas compradoras ainda não perceberam.
Mas também quem as pode censurar? É bastante mais simples atirar com os sonhos de resultados imediatos para os cereais, tal como uma revista feminina culpar uma revista masculina pelo decréscimo de vendas da mesma, alegando que as leitoras confundiam os nomes das duas e compravam a revista masculina por engano, como se o facto de terem que ler realmente os títulos antes da compra fosse um grande obstáculo a transpor, e o facto de mensalmente fazer a capa da revista masculina raparigas sexys semi-desnudadas e reportagens sobre futebol, sexo e carros, o que em abono da verdade, são temas típicos de uma publicação feminina.
Mas já nos estamos a desviar do assunto em questão, e deixamos um sincero conselho às senhoras que porventura nunca irão ler esta crónica: façam exercício físico regularmente, só necessitam de um par de sapatilhas e o mundo é o vosso ginásio. E aí sim, depois de uma boa sessão, poderão comer uma bela tigela de cereais e celebrar o ínicio do fim das ilusões.
Porquê? Porque vocês o merecem.
Searaman & Blinkboy 30/01/2007
Crónica do Demencial: Depois dos 23 Anos é sempre a Descer...
Carta de um Leitor…
”Meus caros, pensem numa coisa; na verdade só temos um rumo. Ter mais idade é apenas sentir no espírito aquilo que o corpo já sente, uma contagem decrescente!
Depois dos 23 anos, é sempre a descer. Se para alguns não é o momento em que se realizam perguntas que nos podem apagar o eu, esse momento surge mais tarde. Talvez nos aconteça perguntar ou então soluçar. E quem se perguntar, considere-se como um sortudo ou porque ouviu o refrão da música “What´s my age again” dos Blink 182. Aquele trio que realizava como ninguém os melhores concertos do mundo com piadas que nos relembravam que a vida anda a volta de actos simples como o questionamento psicológico, poder, dinheiro ou pobreza, beleza ou fealdade, fornicação, masturbação, pelos púbicos, manteiga de amendoim e corrupção, e tudo o que podemos associar ao incesto. E ainda existem pessoas que evocam a perda de valores!
Aquilo que eu referi atrás é que são as verdadeiras linhas condutoras da sociedade.”
Mas onde é que entram os 23 anos…?
Nós já ultrapassámos essa idade, e segundo os padrões dos nossos avós e pais já deveríamos estar a caminho do segundo filho, contudo decidimos pensar naqueles que ainda não atingiram os 23 anos, e também partilhar convosco estas ideias, e assim agir de uma maneira pró- activa de modo a salvaguardar futuros incidentes quando alguns de vos acordarem para a puta da vida.
Se os 23 anos significaram um marco para os Blink 182, também o significaram para nós quando atingimos aquela idade, e só começamos a notar a realidade das coisas quase dois anos depois.
Para terem uma noção, é como partir um braço e só se aperceber depois da bebedeira desaparecer…É nesse estado de embriaguez que passámos a idade que marca o fim das irresponsabilidades, quando terminámos a nossa formação oficial e fomos lançados nas redes da sociedade. E existem muitos inconvenientes em estar em pleno campo aberto social. Durante a fase universitária ainda nos podíamos esquivar a determinados comportamentos grupais e ficar debaixo da nossa bananeira, e por vezes até sucedia que caía alguma coisa, quando não os restos… claro que podemos estar a fazer referência ao sexo, mas não totalmente.
Agora na existência real e impetuosa parece que só se safam aqueles que têm franjinha e aquelas que tem os enfeites. É claramente um cenário que nos enfraquece e deixamos de ter paciência para certas coisas, sendo esse o momento que começamos a nossa adultez.
Depois dos 23 muitas coisas mudam para quem quer ter a vida com alguma dignidade e ambiciona ter uma vida melhor que os seus pais. Quanto aos outros que já têm todas essas necessidades realizadas, acabam por foder tudo. Do modo que se ouve dizer que a vida é um ciclo, não se admirem de virem um dia os vossos netos a foder o vosso património numa qualquer discoteca de uns filhos das ervas em ascensão.
Aos 23 começam a rarear as hipóteses de termos uma vida que marque pontos em negócios de cama e temos seriamente de ponderar quem é que nos supurará até ao final da vida essa falta. Daí resulta que de vez em quando seja natural ir à procura lá fora o que só existiu em casa 6 meses. Se canalizasse-mos esses 6 meses para a idade média de um cão por exemplo, podemos vislumbrar que é perfeitamente natural acontecer tal fenómeno, os magníficos 6 meses de felicidade absoluta.
Felizes os perros que resolvem as coisas tão pacientemente ao longo de uma curta vida e sem grandes expectativas.O homem procura e até pode encontrar a salvação no estrangeiro; a mulher, quando muito também pode trair ou sair, mas o mais normal é dedicar-se aos filhos com todo o seu amor.Depois dos 23 há um hiato de tempo que se pode prolongar até durante 10 anos.
É o tempo de uma segunda adolescência que muito nos intriga, porque nada é fruto do acaso. Os Blink 182, com a música “What´s my age again” abriram um pouco o véu daquilo que aconteceu com eles quase 5 anos depois, o fim da banda, o fim de uma vida que no fundo não tinha futuro uma vez com cabelos brancos. Eles acordaram para a realidade dos factos e recusaram-se (por exemplo) a receber mais roupa interior feminina atirada para o palco, os gajos amadureceram, mas parece que já anteviam esse processo. Mas afinal o que podemos fazer!!!
Está aí alguém que queira ir connosco para a cama antes de pensarmos seriamente na questão?
Deve ser esta a questão de milhares de jovens adultos, alguns deles a ler essa mensagem! É verdade que pode estar por aí alguém que até pode ser feio. É verdade que gostavam de nunca perder tesão e que essa pessoa feia nos pode causar danos emocionais. Mas que diabo, é a vida meus caros! E a vida sempre foi uma sopa servida quase fria e para alguns é um cubo de gelo.
E depois da fornicação pode haver esperança de encontrar no outro lado do leito uma relação que não seja como uma guerra fria???A crise depois dos 23 é como um ditado chinês, existem perigos e oportunidades, sendo que a falta de tesão (excitação) é o mal maior que nos pode suceder. Temos que crescer com excitação, embora com os pés na terra. Acho que foi isso que os Blink 182 realizaram e hoje têm os seus projectos e tem as suas famílias…
Para terminar, não haverá alguém aí que queira ir comigo para a cama?... tenho medo de terminar como aquele personagem do filme American Beauty, que tinha o momento áureo do dia depois de espancar o macaco!
A partir daí é sempre a descer…
Respeitosamente
Searaman & Blinkboy
”Meus caros, pensem numa coisa; na verdade só temos um rumo. Ter mais idade é apenas sentir no espírito aquilo que o corpo já sente, uma contagem decrescente!
Depois dos 23 anos, é sempre a descer. Se para alguns não é o momento em que se realizam perguntas que nos podem apagar o eu, esse momento surge mais tarde. Talvez nos aconteça perguntar ou então soluçar. E quem se perguntar, considere-se como um sortudo ou porque ouviu o refrão da música “What´s my age again” dos Blink 182. Aquele trio que realizava como ninguém os melhores concertos do mundo com piadas que nos relembravam que a vida anda a volta de actos simples como o questionamento psicológico, poder, dinheiro ou pobreza, beleza ou fealdade, fornicação, masturbação, pelos púbicos, manteiga de amendoim e corrupção, e tudo o que podemos associar ao incesto. E ainda existem pessoas que evocam a perda de valores!
Aquilo que eu referi atrás é que são as verdadeiras linhas condutoras da sociedade.”
Mas onde é que entram os 23 anos…?
Nós já ultrapassámos essa idade, e segundo os padrões dos nossos avós e pais já deveríamos estar a caminho do segundo filho, contudo decidimos pensar naqueles que ainda não atingiram os 23 anos, e também partilhar convosco estas ideias, e assim agir de uma maneira pró- activa de modo a salvaguardar futuros incidentes quando alguns de vos acordarem para a puta da vida.
Se os 23 anos significaram um marco para os Blink 182, também o significaram para nós quando atingimos aquela idade, e só começamos a notar a realidade das coisas quase dois anos depois.
Para terem uma noção, é como partir um braço e só se aperceber depois da bebedeira desaparecer…É nesse estado de embriaguez que passámos a idade que marca o fim das irresponsabilidades, quando terminámos a nossa formação oficial e fomos lançados nas redes da sociedade. E existem muitos inconvenientes em estar em pleno campo aberto social. Durante a fase universitária ainda nos podíamos esquivar a determinados comportamentos grupais e ficar debaixo da nossa bananeira, e por vezes até sucedia que caía alguma coisa, quando não os restos… claro que podemos estar a fazer referência ao sexo, mas não totalmente.
Agora na existência real e impetuosa parece que só se safam aqueles que têm franjinha e aquelas que tem os enfeites. É claramente um cenário que nos enfraquece e deixamos de ter paciência para certas coisas, sendo esse o momento que começamos a nossa adultez.
Depois dos 23 muitas coisas mudam para quem quer ter a vida com alguma dignidade e ambiciona ter uma vida melhor que os seus pais. Quanto aos outros que já têm todas essas necessidades realizadas, acabam por foder tudo. Do modo que se ouve dizer que a vida é um ciclo, não se admirem de virem um dia os vossos netos a foder o vosso património numa qualquer discoteca de uns filhos das ervas em ascensão.
Aos 23 começam a rarear as hipóteses de termos uma vida que marque pontos em negócios de cama e temos seriamente de ponderar quem é que nos supurará até ao final da vida essa falta. Daí resulta que de vez em quando seja natural ir à procura lá fora o que só existiu em casa 6 meses. Se canalizasse-mos esses 6 meses para a idade média de um cão por exemplo, podemos vislumbrar que é perfeitamente natural acontecer tal fenómeno, os magníficos 6 meses de felicidade absoluta.
Felizes os perros que resolvem as coisas tão pacientemente ao longo de uma curta vida e sem grandes expectativas.O homem procura e até pode encontrar a salvação no estrangeiro; a mulher, quando muito também pode trair ou sair, mas o mais normal é dedicar-se aos filhos com todo o seu amor.Depois dos 23 há um hiato de tempo que se pode prolongar até durante 10 anos.
É o tempo de uma segunda adolescência que muito nos intriga, porque nada é fruto do acaso. Os Blink 182, com a música “What´s my age again” abriram um pouco o véu daquilo que aconteceu com eles quase 5 anos depois, o fim da banda, o fim de uma vida que no fundo não tinha futuro uma vez com cabelos brancos. Eles acordaram para a realidade dos factos e recusaram-se (por exemplo) a receber mais roupa interior feminina atirada para o palco, os gajos amadureceram, mas parece que já anteviam esse processo. Mas afinal o que podemos fazer!!!
Está aí alguém que queira ir connosco para a cama antes de pensarmos seriamente na questão?
Deve ser esta a questão de milhares de jovens adultos, alguns deles a ler essa mensagem! É verdade que pode estar por aí alguém que até pode ser feio. É verdade que gostavam de nunca perder tesão e que essa pessoa feia nos pode causar danos emocionais. Mas que diabo, é a vida meus caros! E a vida sempre foi uma sopa servida quase fria e para alguns é um cubo de gelo.
E depois da fornicação pode haver esperança de encontrar no outro lado do leito uma relação que não seja como uma guerra fria???A crise depois dos 23 é como um ditado chinês, existem perigos e oportunidades, sendo que a falta de tesão (excitação) é o mal maior que nos pode suceder. Temos que crescer com excitação, embora com os pés na terra. Acho que foi isso que os Blink 182 realizaram e hoje têm os seus projectos e tem as suas famílias…
Para terminar, não haverá alguém aí que queira ir comigo para a cama?... tenho medo de terminar como aquele personagem do filme American Beauty, que tinha o momento áureo do dia depois de espancar o macaco!
A partir daí é sempre a descer…
Respeitosamente
Searaman & Blinkboy
quarta-feira, janeiro 10, 2007
sábado, janeiro 06, 2007
Crónica do Demencial: Não Lactólicos Anónimos
Quatro pessoas em volta de uma mesa discutem os seus problemas de não consumo ou consumo deficiente de leite e alguns derivados. São três Não Lactólicos e um moderador Nilhoo.
Moderador Nilhoo: “- Muito bom dia a todos e sejam bem vindos uma vez mais ao grupo de apoio dos não lactlólicos de Setúbal. Quero desde já agradecer a vossa presença e coragem para dar a cara e discutir este grave problema que tanto incómodo tem dado ás vossas vidas e de tantas outras pessoas neste mundo. Vocês são pessoas de coragem. Quem quer ser o primeiro a partilhar o seu problema?”
1º Lactólico: “- A minha história é a minha história, e é mais como um testemunho do que se passa comigo. Pessoalmente não tenho nada contra o leite e sei que nem sequer tenho uma alergia, acho que é psicológico, ou culpa da minha educação.
Lá em casa sempre tive dificuldades terríveis em superar a barreira do pequeno-almoço com leite. É um ardor. De manhã se o leite está muito quente não consigo bebê-lo, e frio é impossível, mas quando está morninho, que é quando gosto mais dele, aparece aquela película de nata e resolvo deixar o leite no copo azedando e acabo a beber um copo de sumo de laranja, o que me deixa o esófago todo dorido e faz-me passar os trinta minutos seguintes a beber água. Quero acabar com este problema e é por isso que me juntei aos Não Lactólicos Anónimos. Eu quero beber leite! Quero ser normal!”
2ª Lactólico: “- Chamo-me Zé e tenho um comportamento desviante relacionado com o leite. De manhã quando acordo para tomar o pequeno-almoço, sei que está na hora do leite. Sei que o que me espera. Tenho medo. Tenho medo de todos os dias voltar a repetir o mesmo gesto. Só consigo beber o leite com a colher. No entanto como é um processo lento e como só gosto do leite morno, nunca consigo beber toda a caneca, porque ele esfria e aí é o horror.Eu gostava era de um dia vir a ser como a minha esposa que todas as noites quando vai para a cama devora com um enorme gosto a sua dose diária de leitinho quente que ela me pede para preparar... ”
Moderador Nilhoo: “- Parabéns pela coragem de partilhares o teu drama connosco, de não esconderes o teu nome e de te assumires. É um grande passo em frente.
E tu? Queres partilhar a tua história?”
3ª Lactólico: “ - Eu vou partilhar aqui com o grupo o meu problema. A sessão entrou nesta fase em que cada um partilha os seus segredos, e como das outras vezes oU saía mais cedo ou nunca me abria…agora tenho forças e vou contar o que se passa comigo. Apenas sou capaz de beber o meu leite duas vezes por semana no máximo, e se a minha mãezinha insistir sou capaz de bebericar mais meio copo. O meu problema é que nunca consigo ter tempo para o meu leite e opto por não beber nada, e correr depressa para o emprego. Lá também não há leite, apenas uma máquina de café e doces, e para ir à pastelaria mais próxima demoro 15 minutos só de ida e volta. Claro está que o meu patrão não me permite tal façanha para beber a minha insignificante dose e quando chego a casa já não tenho coragem de beber leite. Quero ser mais dependente e encontrar estratégias para melhorar esta insuficiência láctica.”
Moderador Nilhoo: " - Muito obrigado, Tareco, Rebeca e Miguel. Agora é chegado o momento de nos unirmos para a entre ajuda mutua. Façamos a Oração do Leite e depois de a terminarmos, mais fortes iremos beber um copo de leite ao vosso gosto para elevar o consumo e deitar abaixo todas as barreiras e inibições."
Oração do Leite
Por si só leite é simples
E nas gentes da simplicidade
Queremos voltar à idade
Em que complacentes
Bebíamos felicidade.
Queremos o cálcio que dás
Queremos correr…
Correr com as bolas
Ficarmos febris. Adormecer
Com direito a bolachas e leite.
Queremos leite para vencer
Pois o leite é o nosso maior amigo
Leite é poder no nosso peito
Só com leite podemos vencer.
Moderador Nilhoo: “- Então dou por terminado mais uma sessão. A todos um bom dia e para quem estiver interessado, o meu próximo grupo de ajuda é subordinado ao tema “Só consigo ler Camões com uma Lupa”."
(06/01/2007) Searaman & Blinkboy
Moderador Nilhoo: “- Muito bom dia a todos e sejam bem vindos uma vez mais ao grupo de apoio dos não lactlólicos de Setúbal. Quero desde já agradecer a vossa presença e coragem para dar a cara e discutir este grave problema que tanto incómodo tem dado ás vossas vidas e de tantas outras pessoas neste mundo. Vocês são pessoas de coragem. Quem quer ser o primeiro a partilhar o seu problema?”
1º Lactólico: “- A minha história é a minha história, e é mais como um testemunho do que se passa comigo. Pessoalmente não tenho nada contra o leite e sei que nem sequer tenho uma alergia, acho que é psicológico, ou culpa da minha educação.
Lá em casa sempre tive dificuldades terríveis em superar a barreira do pequeno-almoço com leite. É um ardor. De manhã se o leite está muito quente não consigo bebê-lo, e frio é impossível, mas quando está morninho, que é quando gosto mais dele, aparece aquela película de nata e resolvo deixar o leite no copo azedando e acabo a beber um copo de sumo de laranja, o que me deixa o esófago todo dorido e faz-me passar os trinta minutos seguintes a beber água. Quero acabar com este problema e é por isso que me juntei aos Não Lactólicos Anónimos. Eu quero beber leite! Quero ser normal!”
2ª Lactólico: “- Chamo-me Zé e tenho um comportamento desviante relacionado com o leite. De manhã quando acordo para tomar o pequeno-almoço, sei que está na hora do leite. Sei que o que me espera. Tenho medo. Tenho medo de todos os dias voltar a repetir o mesmo gesto. Só consigo beber o leite com a colher. No entanto como é um processo lento e como só gosto do leite morno, nunca consigo beber toda a caneca, porque ele esfria e aí é o horror.Eu gostava era de um dia vir a ser como a minha esposa que todas as noites quando vai para a cama devora com um enorme gosto a sua dose diária de leitinho quente que ela me pede para preparar... ”
Moderador Nilhoo: “- Parabéns pela coragem de partilhares o teu drama connosco, de não esconderes o teu nome e de te assumires. É um grande passo em frente.
E tu? Queres partilhar a tua história?”
3ª Lactólico: “ - Eu vou partilhar aqui com o grupo o meu problema. A sessão entrou nesta fase em que cada um partilha os seus segredos, e como das outras vezes oU saía mais cedo ou nunca me abria…agora tenho forças e vou contar o que se passa comigo. Apenas sou capaz de beber o meu leite duas vezes por semana no máximo, e se a minha mãezinha insistir sou capaz de bebericar mais meio copo. O meu problema é que nunca consigo ter tempo para o meu leite e opto por não beber nada, e correr depressa para o emprego. Lá também não há leite, apenas uma máquina de café e doces, e para ir à pastelaria mais próxima demoro 15 minutos só de ida e volta. Claro está que o meu patrão não me permite tal façanha para beber a minha insignificante dose e quando chego a casa já não tenho coragem de beber leite. Quero ser mais dependente e encontrar estratégias para melhorar esta insuficiência láctica.”
Moderador Nilhoo: " - Muito obrigado, Tareco, Rebeca e Miguel. Agora é chegado o momento de nos unirmos para a entre ajuda mutua. Façamos a Oração do Leite e depois de a terminarmos, mais fortes iremos beber um copo de leite ao vosso gosto para elevar o consumo e deitar abaixo todas as barreiras e inibições."
Oração do Leite
Por si só leite é simples
E nas gentes da simplicidade
Queremos voltar à idade
Em que complacentes
Bebíamos felicidade.
Queremos o cálcio que dás
Queremos correr…
Correr com as bolas
Ficarmos febris. Adormecer
Com direito a bolachas e leite.
Queremos leite para vencer
Pois o leite é o nosso maior amigo
Leite é poder no nosso peito
Só com leite podemos vencer.
Moderador Nilhoo: “- Então dou por terminado mais uma sessão. A todos um bom dia e para quem estiver interessado, o meu próximo grupo de ajuda é subordinado ao tema “Só consigo ler Camões com uma Lupa”."
(06/01/2007) Searaman & Blinkboy
sábado, dezembro 09, 2006
Crónica do Demencial: Programas de Intercâmbio Jovem.
Toda a gente já ouviu falar dos programas de intercâmbio estudantil Erasmus e Leonardo Da Vinci.
Para a maior parte das pessoas trata-se de um intercâmbio cultural de estudantes do ensino superior, onde a troca de experiências de ensino numa cultura diferente da de origem enriquece o currículo pessoal e enaltece os valores humanistas e a amizade entre as diferentes nações, para além de proporcionar uma diferente experiência de vida no contexto europeu actual.
Mas para quem frequenta esses programas de intercâmbio, a motivação é bem mais simples: dar o maior número de quecas possível.
Quem está nesse meio, saberá que uma das maiores vantagens de estudar no estrangeiro é o interesse que o aluno(a) de intercâmbio suscita no grupo estudantil onde é inserido. A ânsia de conhecimento, bem ao estilo do seu objectivo oficial, faz com que se queira aprofundar ao máximo a compreensão da cultura que o recebe com bem mais do que braços abertos.
Tudo começa com o acto de trabalhar os progenitores para a possível emigração temporária como se estivesse a trabalhar numa lesão; o que pode demorar meses. Seguidamente o aluno inscreve-se para Paris, Londres ou Milão. Calha-lhe uma cidade na Polónia que nem ele consegue pronunciar. Ao saber da excitante notícia, o aluno decide dar o primeiro e talvez o único passo onde revela interesse cultural. Vai ao google earth e pesquisa a localização daquela cidade satélite de Cracóvia, mas não encontra nada. Não desistindo procura em todas as lojas de artigos para turista (livros, redes mosquiteiras, caquis, e outras extravagancias), finalmente, e já com o avião prestes a levantar voo, encontra aquele mapa X.P.T.O da Polónia, mas como não podia deixar de ser está em Polaco!
Chegado ao aeroporto polaco, é recebido por um indivíduo que anteriormente participou no Programa Eramus entre outros. Supostamente ele é o avaliador do intercâmbio, mas no entanto só se voltarão a reencontrar na volta para Portugal, pois o mesmo não lhe prestará qualquer serviço útil durante a sua estada (como indicar os melhores sítios para engatar gajas por exemplo); não é bem assim, leva-o para uma residência estudantil dos tempos da ex-URSS, onde, se tiver sorte arranja um quarto com um aquecedor.
A vida do português não é fácil! No alojamento demora um dia para meter conversa com os colegas que vêm de outros destinos e que têm mais dinheiro do que ele; quanto ás raparigas, devido a sua compleição atlética, o luso ainda tem algum receio de apalpar o terreno. O tamanho deixa-o pouco à vontade e até assusta, habituado que está às portuguesas, sempre introvertidas e pequenas como sardinhas. Nas aulas o seu inglês aos encontrões permite-lhe apenas travar conhecimento com o totó da turma. Uma semana depois desiste das aulas e parte para os bares da cidade mais frequentados por miúdas. É verdade que tinha uma namorada em Portugal, mas como era uma chata, preferiu dar de frosques em busca de experiências sexuais no campo oral e rectal sem ter de se preocupar com as idas ao fim de semana à casa dos pais da menina.
A época de caça dura seis meses, que é o tempo que dura o programa…
Não sabemos ao certo quando come a primeira camone, embora ali o camone seja ele. Talvez entre a décima quinta e a décima sétima cerveja.
Vivem felizes até ao raiar do dia, ou até à próxima rodada, e às vezes junta-se-lhes uma ou outra amiga. Tudo isto graças a um enorme investimento com as tácticas de engate de Zézé Camarinha.
Quem diria que realmente funcionariam.
Quando o programa acaba, o português volta mais experiente para a orgulhosa Universidade que o viu partir, volta para a família que lhe colocou uma vela no santuário local para o ajudar naquela sua caminhada árdua num sítio desconhecido e por fim, o nosso “Manuel” sabe que ao voltar vai ter de reconquistar a sua pequena sardinha muito subtilmente de modo a ter sexo às escuras, correndo o risco de , repetir o mesmo acto na mesma posição 12 vezes por ano!
Que saudades da Polónia!
No entanto se uma estrangeira do Leste, por exemplo da República Checa (porquê República Checa?! São umas debochadas querem logo saber como se diz "foder" em português!!!) se fizer à estrada e vier para Portugal, vamos ter festarola logo nas primeiras horas! O primeiro a fazer-se ao bife é o anfitrião que a recebe na cidade. Ele terá o direito à primeira tentativa de provar o pêssego e com o seu charme de guia turístico, provavelmente conseguirá.
Em primeiro lugar e ao contrário do que sucedeu com o português na Polónia, tem logo a camaradagem de 5 colegas dispostos a tudo para que se sinta mais do que em casa; e se for em casa dela ainda melhor. Surgem propostas para realizar explicações linguísticas, ajudas nos trabalhos de casa, conhecer a cidade, etc...
Agora multipliquem isso por seis meses e pensem seriamente participar no programa.
Talvez por causa do calor ou por causa dos efeitos da queda do Comunismo, as alunas do Erasmus desenvolveram uma aptidão voraz por conhecer aprofundadamente tudo sobre as diferentes culturas da União Europeia (sobretudo do sul da Europa) e apresentam-se no aeroporto com um postal cheio de palmeiras e muito sorridentes.
É uma experiência única de intercâmbio cultural que aconselhamos vivamente aos alunos universitários e que não se irão arrepender, mesmo sabendo que, na devida altura a deixámos escapar.
Agora como bónus apresentamos aquelas que achamos que são as doze regras essenciais para ter sucesso aquando de um intercâmbio (o grau de sucesso dependerá do seu objectivo; estudar ou "aprofundar" a cultura).
12 Regras Básicas para ter sucesso do Programa Erasmus
1. Um mau domínio do inglês é sempre uma boa arma;
2. Uma apresentação sorridente é sempre um bom ponto de partida;
3. Veja sempre com bons olhos uma nova experiência;
4. Avalie sempre situações de recurso;
5. Nas aulas mesmo quando percebeu a matéria peça explicações a um(a) colega;
6. Uns copitos nunca fizeram mal a ninguém;
7. Raparigas de mãos dadas não são necessariamente lésbicas, e até poderão alinhar numa ménage;
8. Ande sempre com uma caixa de preservativos na mochila;
9. São só seis meses, terá que voltar para casa por isso atitudes sérias não são opção;
10. Faça o teste das DST antes e depois do intercâmbio;
11. Convém pelo menos ir a uma aula;
12. A máquina fotográfica é a nossa melhor amiga;
P.S.: Se houver algum imprevisto nove meses depois, lembre-se de que estavam mais 20 pessoas na festa e que poderá sempre culpar alguém, fique de consciência tranquila.
Searaman & Blinkboy (09.12.06)
Para a maior parte das pessoas trata-se de um intercâmbio cultural de estudantes do ensino superior, onde a troca de experiências de ensino numa cultura diferente da de origem enriquece o currículo pessoal e enaltece os valores humanistas e a amizade entre as diferentes nações, para além de proporcionar uma diferente experiência de vida no contexto europeu actual.
Mas para quem frequenta esses programas de intercâmbio, a motivação é bem mais simples: dar o maior número de quecas possível.
Quem está nesse meio, saberá que uma das maiores vantagens de estudar no estrangeiro é o interesse que o aluno(a) de intercâmbio suscita no grupo estudantil onde é inserido. A ânsia de conhecimento, bem ao estilo do seu objectivo oficial, faz com que se queira aprofundar ao máximo a compreensão da cultura que o recebe com bem mais do que braços abertos.
Tudo começa com o acto de trabalhar os progenitores para a possível emigração temporária como se estivesse a trabalhar numa lesão; o que pode demorar meses. Seguidamente o aluno inscreve-se para Paris, Londres ou Milão. Calha-lhe uma cidade na Polónia que nem ele consegue pronunciar. Ao saber da excitante notícia, o aluno decide dar o primeiro e talvez o único passo onde revela interesse cultural. Vai ao google earth e pesquisa a localização daquela cidade satélite de Cracóvia, mas não encontra nada. Não desistindo procura em todas as lojas de artigos para turista (livros, redes mosquiteiras, caquis, e outras extravagancias), finalmente, e já com o avião prestes a levantar voo, encontra aquele mapa X.P.T.O da Polónia, mas como não podia deixar de ser está em Polaco!
Chegado ao aeroporto polaco, é recebido por um indivíduo que anteriormente participou no Programa Eramus entre outros. Supostamente ele é o avaliador do intercâmbio, mas no entanto só se voltarão a reencontrar na volta para Portugal, pois o mesmo não lhe prestará qualquer serviço útil durante a sua estada (como indicar os melhores sítios para engatar gajas por exemplo); não é bem assim, leva-o para uma residência estudantil dos tempos da ex-URSS, onde, se tiver sorte arranja um quarto com um aquecedor.
A vida do português não é fácil! No alojamento demora um dia para meter conversa com os colegas que vêm de outros destinos e que têm mais dinheiro do que ele; quanto ás raparigas, devido a sua compleição atlética, o luso ainda tem algum receio de apalpar o terreno. O tamanho deixa-o pouco à vontade e até assusta, habituado que está às portuguesas, sempre introvertidas e pequenas como sardinhas. Nas aulas o seu inglês aos encontrões permite-lhe apenas travar conhecimento com o totó da turma. Uma semana depois desiste das aulas e parte para os bares da cidade mais frequentados por miúdas. É verdade que tinha uma namorada em Portugal, mas como era uma chata, preferiu dar de frosques em busca de experiências sexuais no campo oral e rectal sem ter de se preocupar com as idas ao fim de semana à casa dos pais da menina.
A época de caça dura seis meses, que é o tempo que dura o programa…
Não sabemos ao certo quando come a primeira camone, embora ali o camone seja ele. Talvez entre a décima quinta e a décima sétima cerveja.
Vivem felizes até ao raiar do dia, ou até à próxima rodada, e às vezes junta-se-lhes uma ou outra amiga. Tudo isto graças a um enorme investimento com as tácticas de engate de Zézé Camarinha.
Quem diria que realmente funcionariam.
Quando o programa acaba, o português volta mais experiente para a orgulhosa Universidade que o viu partir, volta para a família que lhe colocou uma vela no santuário local para o ajudar naquela sua caminhada árdua num sítio desconhecido e por fim, o nosso “Manuel” sabe que ao voltar vai ter de reconquistar a sua pequena sardinha muito subtilmente de modo a ter sexo às escuras, correndo o risco de , repetir o mesmo acto na mesma posição 12 vezes por ano!
Que saudades da Polónia!
No entanto se uma estrangeira do Leste, por exemplo da República Checa (porquê República Checa?! São umas debochadas querem logo saber como se diz "foder" em português!!!) se fizer à estrada e vier para Portugal, vamos ter festarola logo nas primeiras horas! O primeiro a fazer-se ao bife é o anfitrião que a recebe na cidade. Ele terá o direito à primeira tentativa de provar o pêssego e com o seu charme de guia turístico, provavelmente conseguirá.
Em primeiro lugar e ao contrário do que sucedeu com o português na Polónia, tem logo a camaradagem de 5 colegas dispostos a tudo para que se sinta mais do que em casa; e se for em casa dela ainda melhor. Surgem propostas para realizar explicações linguísticas, ajudas nos trabalhos de casa, conhecer a cidade, etc...
Agora multipliquem isso por seis meses e pensem seriamente participar no programa.
Talvez por causa do calor ou por causa dos efeitos da queda do Comunismo, as alunas do Erasmus desenvolveram uma aptidão voraz por conhecer aprofundadamente tudo sobre as diferentes culturas da União Europeia (sobretudo do sul da Europa) e apresentam-se no aeroporto com um postal cheio de palmeiras e muito sorridentes.
É uma experiência única de intercâmbio cultural que aconselhamos vivamente aos alunos universitários e que não se irão arrepender, mesmo sabendo que, na devida altura a deixámos escapar.
Agora como bónus apresentamos aquelas que achamos que são as doze regras essenciais para ter sucesso aquando de um intercâmbio (o grau de sucesso dependerá do seu objectivo; estudar ou "aprofundar" a cultura).
12 Regras Básicas para ter sucesso do Programa Erasmus
1. Um mau domínio do inglês é sempre uma boa arma;
2. Uma apresentação sorridente é sempre um bom ponto de partida;
3. Veja sempre com bons olhos uma nova experiência;
4. Avalie sempre situações de recurso;
5. Nas aulas mesmo quando percebeu a matéria peça explicações a um(a) colega;
6. Uns copitos nunca fizeram mal a ninguém;
7. Raparigas de mãos dadas não são necessariamente lésbicas, e até poderão alinhar numa ménage;
8. Ande sempre com uma caixa de preservativos na mochila;
9. São só seis meses, terá que voltar para casa por isso atitudes sérias não são opção;
10. Faça o teste das DST antes e depois do intercâmbio;
11. Convém pelo menos ir a uma aula;
12. A máquina fotográfica é a nossa melhor amiga;
P.S.: Se houver algum imprevisto nove meses depois, lembre-se de que estavam mais 20 pessoas na festa e que poderá sempre culpar alguém, fique de consciência tranquila.
Searaman & Blinkboy (09.12.06)
terça-feira, novembro 28, 2006
Crónica do Demencial: Um dia com o Desemprego
Um dos resultados da grande politica governamental portuguesa é o que está a acontecer a um dos elementos do blog.
Desempregado à dois meses e após um ano e meio de trabalho entre estágios e contratos de trabalho temporário, com contactos e currículos enviados, a única solução é esperar e deparar-se com uma situação frustrante:
Não ter nada para fazer.
Como bónus, tem o computador avariado à 3 meses, enviado com garantia para a “grande superfície” de origem, que o enviou para arranjar em França faz já dois meses.
Rico panorama. Na época em que os governantes fazem bandeira sobre o decréscimo de desempregados (os trabalhadores em recibos verdes e com contratos precários em empresas de trabalho temporário não contam, claro) e incentivam os estudantes para não abandonar os estudos, não existe a mínima garantia de trabalho para as fornadas de licenciados que terminam os cursos anualmente e caiem no desemprego por habilitações a mais.
Esta é uma situação que afecta milhares de pessoas e tocou também a um de nós.
Este é o relato de um dia de um “número” inserido nos milhares que estão desempregados.
10h30 – Acorda calmamente e depois de ir à casa de banho liga a televisão num canal de notícias para ver as novidades. Interessante. Um jogo de futebol que correu mal, manifestações nas ruas, fechos de escolas em protesto contra coisas que nem os alunos sabem, fechos de fábricas, centenas de trabalhadores despedidos, OPA’s, novas reformas governativas estranguladoras para o pequeno contribuinte e representantes do governo a rir com o bom trabalho realizado. Enfim, um dia normal.
11h30 – depois de um belo pequeno-almoço de uma fatia de bolo e um pacote de leite com chocolate, toma banho, veste-se e dirige-se ao quiosque mais próximo onde compra o jornal “a bola” e lê os cabeçalhos de um dos muitos jornais da cidade. “Única cidade do país com aumento de orçamento para luzes de natal em relação ao ano de 2005” Bonito. Passaram de 15 mil para 35 mil euros. Ainda bem que a Câmara Municipal está em contenção de despesas. Depois de 32 mil euros gastos em dois pórticos de metal, é bom ver que a governação continua a manter a coerência.
12h30 – de volta a casa, a nova areia perfumada que comprou para a gata deu um resultado. Fez as necessidades no tapete da casa de banho. Toca a limpar. Se as coisas correm bem, porque haveriam de mudar?
13h00 – os restos do jantar do dia anterior dão um bom almoço. Vê os vários noticiários. Num canal, um jovem atira-se de uma ponte do rio Douro e morre, tudo devido a uma aposta, num outro, é escamoteado até ao limite todos os detalhes do jogo de futebol do dia anterior, e no que falta, um inquérito nas ruas de várias cidades do país mostra que a maioria das mulheres queria como prenda de natal por parte dos conjugues/namorados um automóvel ou uma viagem, ao que os respectivos reagiam com total estupefacção, mostrando que no séc.XXI os homens ainda não percebem as mulheres. “Pago-te uma viagem de transporte público” foi a resposta mais pragmática dada por um cônjuge.
15h00 – dirige-se ao antigo local de trabalho, onde à dois meses lhe dizem que querem que volte e que estão a tratar da elaboração do novo contrato. Nada de novo então. Ainda estão a tratar do assunto. Não sabem dizer em que ponto está o processo. Fica cada vez mais optimista no regresso ao trabalho.
15h30 – consulta os seus e-mails com esperança de ver alguma resposta a algum envio de currículo. Nada de novo. Muitas newsletters e mails de amigos com vídeos ou imagens cómicas. Não tem paciência para os ver. Fala com os antigos colegas de trabalho e fica a saber que as coisas não melhoraram no local e que há trabalho a mais para pessoas a menos.
16h00 – visita vários familiares onde põe a conversa em dia. Não tem novidades a dar. Volta para casa com um saco de fruta, queijo e algumas coca-colas. Pelo caminho, passa pelo shopping onde dá uma vista de olhos e encontra 5 lojas de roupa a necessitar de funcionários. Pensa que quem não gastou 5 anos a tirar um curso superior tem trabalho garantido. Pensa também que provavelmente é esse o destino de muitos licenciados e talvez o seu.
17h30 – chega a casa, onde depois de arrumar as coisas, fala pelo telefone com a mãe que emigrou para França à 13 anos e continua sem novidades para lhe dar sobre a sua situação.
18h30 – chega a casa a sua “cara metade” que está em estágio profissional numa Câmara Municipal a 40 km a fazer o trabalho de professores que não foram contratados por uma empresa de trabalho temporário de modo a assegurar os professores nas várias escolas, sendo impedida assim de trabalhar na sua área especifica.
Mais um dia de trabalho normal, complicado por professores, educadoras de infância que se pensam superiores a animadores culturais e até mesmo os pais das crianças que dificultam e condicionam o trabalho com os alunos.
19h00 - sem grandes motivos para boa disposição, é feito o jantar, janta-se, actualizam-se as noticias e arruma-se a mesa e a cozinha.
22h00 – sentam-se no sofá onde vêm um pouco de televisão e a cara metade vai-se deitar para acordar às 07h30 para ir trabalhar.
23h30 – sozinho no sofá, vê um filme pois não tem planos para o dia seguinte.
01h30 – vai-se deitar, com a única certeza de que amanhã é um novo dia.
(23.11.2006) Searaman & Blinkboy
Desempregado à dois meses e após um ano e meio de trabalho entre estágios e contratos de trabalho temporário, com contactos e currículos enviados, a única solução é esperar e deparar-se com uma situação frustrante:
Não ter nada para fazer.
Como bónus, tem o computador avariado à 3 meses, enviado com garantia para a “grande superfície” de origem, que o enviou para arranjar em França faz já dois meses.
Rico panorama. Na época em que os governantes fazem bandeira sobre o decréscimo de desempregados (os trabalhadores em recibos verdes e com contratos precários em empresas de trabalho temporário não contam, claro) e incentivam os estudantes para não abandonar os estudos, não existe a mínima garantia de trabalho para as fornadas de licenciados que terminam os cursos anualmente e caiem no desemprego por habilitações a mais.
Esta é uma situação que afecta milhares de pessoas e tocou também a um de nós.
Este é o relato de um dia de um “número” inserido nos milhares que estão desempregados.
10h30 – Acorda calmamente e depois de ir à casa de banho liga a televisão num canal de notícias para ver as novidades. Interessante. Um jogo de futebol que correu mal, manifestações nas ruas, fechos de escolas em protesto contra coisas que nem os alunos sabem, fechos de fábricas, centenas de trabalhadores despedidos, OPA’s, novas reformas governativas estranguladoras para o pequeno contribuinte e representantes do governo a rir com o bom trabalho realizado. Enfim, um dia normal.
11h30 – depois de um belo pequeno-almoço de uma fatia de bolo e um pacote de leite com chocolate, toma banho, veste-se e dirige-se ao quiosque mais próximo onde compra o jornal “a bola” e lê os cabeçalhos de um dos muitos jornais da cidade. “Única cidade do país com aumento de orçamento para luzes de natal em relação ao ano de 2005” Bonito. Passaram de 15 mil para 35 mil euros. Ainda bem que a Câmara Municipal está em contenção de despesas. Depois de 32 mil euros gastos em dois pórticos de metal, é bom ver que a governação continua a manter a coerência.
12h30 – de volta a casa, a nova areia perfumada que comprou para a gata deu um resultado. Fez as necessidades no tapete da casa de banho. Toca a limpar. Se as coisas correm bem, porque haveriam de mudar?
13h00 – os restos do jantar do dia anterior dão um bom almoço. Vê os vários noticiários. Num canal, um jovem atira-se de uma ponte do rio Douro e morre, tudo devido a uma aposta, num outro, é escamoteado até ao limite todos os detalhes do jogo de futebol do dia anterior, e no que falta, um inquérito nas ruas de várias cidades do país mostra que a maioria das mulheres queria como prenda de natal por parte dos conjugues/namorados um automóvel ou uma viagem, ao que os respectivos reagiam com total estupefacção, mostrando que no séc.XXI os homens ainda não percebem as mulheres. “Pago-te uma viagem de transporte público” foi a resposta mais pragmática dada por um cônjuge.
15h00 – dirige-se ao antigo local de trabalho, onde à dois meses lhe dizem que querem que volte e que estão a tratar da elaboração do novo contrato. Nada de novo então. Ainda estão a tratar do assunto. Não sabem dizer em que ponto está o processo. Fica cada vez mais optimista no regresso ao trabalho.
15h30 – consulta os seus e-mails com esperança de ver alguma resposta a algum envio de currículo. Nada de novo. Muitas newsletters e mails de amigos com vídeos ou imagens cómicas. Não tem paciência para os ver. Fala com os antigos colegas de trabalho e fica a saber que as coisas não melhoraram no local e que há trabalho a mais para pessoas a menos.
16h00 – visita vários familiares onde põe a conversa em dia. Não tem novidades a dar. Volta para casa com um saco de fruta, queijo e algumas coca-colas. Pelo caminho, passa pelo shopping onde dá uma vista de olhos e encontra 5 lojas de roupa a necessitar de funcionários. Pensa que quem não gastou 5 anos a tirar um curso superior tem trabalho garantido. Pensa também que provavelmente é esse o destino de muitos licenciados e talvez o seu.
17h30 – chega a casa, onde depois de arrumar as coisas, fala pelo telefone com a mãe que emigrou para França à 13 anos e continua sem novidades para lhe dar sobre a sua situação.
18h30 – chega a casa a sua “cara metade” que está em estágio profissional numa Câmara Municipal a 40 km a fazer o trabalho de professores que não foram contratados por uma empresa de trabalho temporário de modo a assegurar os professores nas várias escolas, sendo impedida assim de trabalhar na sua área especifica.
Mais um dia de trabalho normal, complicado por professores, educadoras de infância que se pensam superiores a animadores culturais e até mesmo os pais das crianças que dificultam e condicionam o trabalho com os alunos.
19h00 - sem grandes motivos para boa disposição, é feito o jantar, janta-se, actualizam-se as noticias e arruma-se a mesa e a cozinha.
22h00 – sentam-se no sofá onde vêm um pouco de televisão e a cara metade vai-se deitar para acordar às 07h30 para ir trabalhar.
23h30 – sozinho no sofá, vê um filme pois não tem planos para o dia seguinte.
01h30 – vai-se deitar, com a única certeza de que amanhã é um novo dia.
(23.11.2006) Searaman & Blinkboy
sexta-feira, outubro 20, 2006
Crónica:do Demencial: Desregulação Interior
Crónica do Demencial: Desregulação Interior
O Homem nem sempre está feliz.
Na existência momentos em que tudo fica parado num beco. A salvação nem sempre nos ouve, ou nos falava, e quanto muito pode vir na receita de algum remédio para alguma maleita. Hoje escrevemos sobre prisão de ventre. Voltamos à obscenidade, à heresia de falar de merda. É sobre merda que se trata este texto. E não nos vamos esconder por caminhos metafóricos e campos lexicais médicos. Já basta andar na merda, e ter de dizer que vamos andando…
A desregulação interior, pleonasmo por outras palavras que procura dizer prisão de ventre, destrói a vida de muita gente todos os dias. Mas devemos ser sensatos e pacientes com quem perde uma manhã inteira a cagar. Paciência. Cagar logo e bem cagar é sinal de vitalidade intestinal. Pura vitalidade da raça, diga – se, humana.
Mas não compreendemos porque há gente que com requintes da dicotomia desejo vs. morte, que se esforça por esventrar nas horas dos ciclos diários de cagança.
As soluções passam por produtos que adquirem o poder de um bálsamo. O bálsamo neste caso serve – lhes para tornar mais rápidas as auto-estradas intestinais. Mas tudo começa por cima, e para essas pessoas, a boca é uma mera passagem; o esófago é uma mera passagem mais inclinada; o estômago é um balde de tinta para dar um retoque no produto. Depois a acção desenrola-se nos intestinos, mas querem que a mesma seja ligeira, ou light, como se diz agora.
Com a acção dos milagrosos produtos, a hipótese de cagar torna-se rotineira, como a necessidade das tripas expelirem a caganeira numa mija quando as coisas dão para o torno e apanhamos uma intoxicação. Os produtos milagrosos, estão acessíveis, e neste momento - neste momento em que escrevo esta crónica é uma era triste para as farmácias, pois a venda de laxantes já deve ter feito apodrecer o mercado da limpeza intestinal. As impurezas podem agora… Perdão, não se trata de impurezas, mas de alimentos normais, que são empurrados pela leveza de produtos com o “Acti”, o “Regulador”, ou o “Fibra com mil milhões” (ficam aqui alguns exemplos); e ao serem atirados para fora de cena, vão tirar do curso da história, a natural forma de cagar, um processo que se aperfeiçoou ao longo de milénios.
Imaginem o que seriam as dificuldades do homem da idade do gelo em cagar. Primeiro, o acto deveria ser longo, pois o consumo de carne era primário e não existia alternativa para vegetarianos, uma vez que vegetais seriam de pouca monta, e nem isso lhes passaria pela mona. Imaginem o ser, no pleno acto, completamente incólume a apanhar alguma constipação só por colocar o rabo ao léu. Imaginem o que seria a falta de uma boa pedra junto ao rio, ou de umas folhas de feto fresquinhas! Meus caros, evoluímos muito, mas quando nos deparamos com um funcionário público aselha, ou outra situação de nacional porreirismo, até ficamos com a tripa às voltas.
Hoje, com a sofisticação, assistimos à arquitectura da implosão do ser, e devido aos estímulos da modernidade, criaram-se hábitos que destroem os actos solenes como cagar. Os produtos em voga, são cada vez mais apetecidos.
Esses produtos regulam as horas, e ao regularem o relógio interno, vão também fazer com que as pessoas normais que não sofrem de problemas naturais de defecção, trabalhem mais, produzam; gastem; contraíam empréstimos e hipotecas. Vivendo com um frenesim tal, só pode significar uma de duas coisas: ou são pessoas que preferem e vivem o desejo de cagar e ter a sua cagada a tempo e horas como o sexo a tempo e horas, ou então tudo isto não passa de uma estratégia capitalista para reduzir mais uma vez o homem aos intuitos dos grandes grupos de fabrico de iogurtes.
Isto, meus caros leitores é uma mancha castanha muito grande e muito mal cheirosa nas nossas vidas; é uma merda; e descobrimos que afinal sempre devemos olhar as coisas de um diferente ângulo.
Gostávamos que pensassem nisto, como quem pensa que tem uma pedra na barriga, e tem de andar às voltas para encontrar uma solução. A solução é chá tradicional, genuinamente colhido no campo e colocado em sacos que podem encontrar em lojas de produtos naturais. E não se esqueçam, sejam puros e não usem essas mixórdias com aloé vera.
Achamos que fomos tão originais com esta descoberta que somos tentados a dizer “viva a merda!”. E que afinal os manuais sobre o acto de bem cagar, e toda a etiqueta que foi escrita por muitos eruditos, se encontrava certa. Mas desconfiamos e não queremos que em nome da sofisticação, da modernidade e do capitalismo, o acto de se sentar no trono se torne tão banal como mascar uma pastilha elástica.
Pelo bem de bem cagar, divulguem esta mensagem; bem podemos dizer que o futuro pertence à merda, perdão à boa merda, pura e sem aditivos, que façam com que o ciclo digestivo seja desmaterializado, pois ele é um trabalho de equipa que exige que sejamos parceiros, ou melhor, o jogador mais avançado, pois é a nós cabe a concretização final.
Searaman & Blinkboy (02/10/06)
O Homem nem sempre está feliz.
Na existência momentos em que tudo fica parado num beco. A salvação nem sempre nos ouve, ou nos falava, e quanto muito pode vir na receita de algum remédio para alguma maleita. Hoje escrevemos sobre prisão de ventre. Voltamos à obscenidade, à heresia de falar de merda. É sobre merda que se trata este texto. E não nos vamos esconder por caminhos metafóricos e campos lexicais médicos. Já basta andar na merda, e ter de dizer que vamos andando…
A desregulação interior, pleonasmo por outras palavras que procura dizer prisão de ventre, destrói a vida de muita gente todos os dias. Mas devemos ser sensatos e pacientes com quem perde uma manhã inteira a cagar. Paciência. Cagar logo e bem cagar é sinal de vitalidade intestinal. Pura vitalidade da raça, diga – se, humana.
Mas não compreendemos porque há gente que com requintes da dicotomia desejo vs. morte, que se esforça por esventrar nas horas dos ciclos diários de cagança.
As soluções passam por produtos que adquirem o poder de um bálsamo. O bálsamo neste caso serve – lhes para tornar mais rápidas as auto-estradas intestinais. Mas tudo começa por cima, e para essas pessoas, a boca é uma mera passagem; o esófago é uma mera passagem mais inclinada; o estômago é um balde de tinta para dar um retoque no produto. Depois a acção desenrola-se nos intestinos, mas querem que a mesma seja ligeira, ou light, como se diz agora.
Com a acção dos milagrosos produtos, a hipótese de cagar torna-se rotineira, como a necessidade das tripas expelirem a caganeira numa mija quando as coisas dão para o torno e apanhamos uma intoxicação. Os produtos milagrosos, estão acessíveis, e neste momento - neste momento em que escrevo esta crónica é uma era triste para as farmácias, pois a venda de laxantes já deve ter feito apodrecer o mercado da limpeza intestinal. As impurezas podem agora… Perdão, não se trata de impurezas, mas de alimentos normais, que são empurrados pela leveza de produtos com o “Acti”, o “Regulador”, ou o “Fibra com mil milhões” (ficam aqui alguns exemplos); e ao serem atirados para fora de cena, vão tirar do curso da história, a natural forma de cagar, um processo que se aperfeiçoou ao longo de milénios.
Imaginem o que seriam as dificuldades do homem da idade do gelo em cagar. Primeiro, o acto deveria ser longo, pois o consumo de carne era primário e não existia alternativa para vegetarianos, uma vez que vegetais seriam de pouca monta, e nem isso lhes passaria pela mona. Imaginem o ser, no pleno acto, completamente incólume a apanhar alguma constipação só por colocar o rabo ao léu. Imaginem o que seria a falta de uma boa pedra junto ao rio, ou de umas folhas de feto fresquinhas! Meus caros, evoluímos muito, mas quando nos deparamos com um funcionário público aselha, ou outra situação de nacional porreirismo, até ficamos com a tripa às voltas.
Hoje, com a sofisticação, assistimos à arquitectura da implosão do ser, e devido aos estímulos da modernidade, criaram-se hábitos que destroem os actos solenes como cagar. Os produtos em voga, são cada vez mais apetecidos.
Esses produtos regulam as horas, e ao regularem o relógio interno, vão também fazer com que as pessoas normais que não sofrem de problemas naturais de defecção, trabalhem mais, produzam; gastem; contraíam empréstimos e hipotecas. Vivendo com um frenesim tal, só pode significar uma de duas coisas: ou são pessoas que preferem e vivem o desejo de cagar e ter a sua cagada a tempo e horas como o sexo a tempo e horas, ou então tudo isto não passa de uma estratégia capitalista para reduzir mais uma vez o homem aos intuitos dos grandes grupos de fabrico de iogurtes.
Isto, meus caros leitores é uma mancha castanha muito grande e muito mal cheirosa nas nossas vidas; é uma merda; e descobrimos que afinal sempre devemos olhar as coisas de um diferente ângulo.
Gostávamos que pensassem nisto, como quem pensa que tem uma pedra na barriga, e tem de andar às voltas para encontrar uma solução. A solução é chá tradicional, genuinamente colhido no campo e colocado em sacos que podem encontrar em lojas de produtos naturais. E não se esqueçam, sejam puros e não usem essas mixórdias com aloé vera.
Achamos que fomos tão originais com esta descoberta que somos tentados a dizer “viva a merda!”. E que afinal os manuais sobre o acto de bem cagar, e toda a etiqueta que foi escrita por muitos eruditos, se encontrava certa. Mas desconfiamos e não queremos que em nome da sofisticação, da modernidade e do capitalismo, o acto de se sentar no trono se torne tão banal como mascar uma pastilha elástica.
Pelo bem de bem cagar, divulguem esta mensagem; bem podemos dizer que o futuro pertence à merda, perdão à boa merda, pura e sem aditivos, que façam com que o ciclo digestivo seja desmaterializado, pois ele é um trabalho de equipa que exige que sejamos parceiros, ou melhor, o jogador mais avançado, pois é a nós cabe a concretização final.
Searaman & Blinkboy (02/10/06)
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